No apogeu do inverno, despencou uma brisa suave que incandesceu a chama por mais momento, irradiando um calorzinho de meio sem força, desses que parece a aproximação lenta dela ao repousar a cabeça no seu colo, cobrindo-se com esse frio meio sem graça que os fez puxarem ao outro para mais próximo e acasularem-se nas cobertas, acovardados do mundo lá fora. Ela lhe deu daqueles olhos preguiçosos, recém-despertos ainda embotados de sonho fundo, escalando até o peito e s'esticando para beijar-lhe o queixo num silêncio confortável, e se sentiam nus e entre as cobertas pesadas -- não muito mais tarde, os olhos dela laminaram-se feito metal, desfocaram no horizonte antes dela me retornar inteira com um sorriso agradável e perceberam-se quase por todo desperto e cedo cedo haviam raiado como o dia.
"Não, mãe, tá tudo bem aqui."
Foi apresentado à razão nos olhos dela. Tanto tempo passado e tanto tempo agora e tanto tempo depois fez deles tão íntimos que, mesmo tão agora, o silêncio entre eles não parecia mais empecilho para a mensagem. Nos olhos dele viu que era por amá-la que a esperava terminar a ligação, dando-a a valiosa consciência de últimas palavras e duma despedida; nela, superficiando a íris, o reflexo do cano da arma apontado para o meio da testa. Ele pôs o telefone de lado Te amo mãe manda um beijo pro pai e com um sorriso dele a cabeça dela estava espalhada por toda a sala.
De todas as coisas que aconteceram, porém, a que veio mais como surpresa foi no abrir dos novos olhos ver-se repousa diante de Osiris. Sobre seu ombro, a cabeça empoleirada de Horus; mais como pássaro que deus, ele virou a cabeça de penas e bico pontiagudo, mirando-a com o azul fundo do único olho ainda inteiro, outro cego por um vermelho coagulado, prestou reverência ao pai e, após ter buscado pessoalmente a alma da mulher até o paraíso, farfalhou as asas na abertura e voou embora.
Anubis adentrou os aposentos reais com pressa, tinha jeito selvagem e um brilho cirúrgico nas retina de chacal, abaixou-se até a mulher, meteu-lhe as mãos nos ombros e a pressionou com força até o chão. O fucinho dilacerou-lhe o peito com violência e mordiscando o coração que batia arrancou-lhe entre filetes de sangue límpido para carregá-lo até a balança dourada aos pés de Osiris. Dum lado, uma pena, do outro, o coração da mulher.
A balança pendeu suave para o coração, movendo devagar até tocar o fundo. Anubis feito animal encarou a moça -- tão débil no chão, de imagem fraca e peito aberto, viva como que pela já morte -- com curiosidade, então com fome. Feito eco de trovão num cânion largo, a voz de Osiris em seu Por quê fez suspender todo o resto e desencadeou os rosnares de Anubis "Ela carrega no coração o perdão dum assassino". Osiris desapontou-se. Fechando as mandíbulas sobre a clavícula e trazendo consigo o coração, o cabeça-de-chacal atirou a moça dos altos às águas do rio, onde ela foi feita banquete dos jacarés até tornar-se lama do Nilo.
"Não, mãe, tá tudo bem aqui."
Foi apresentado à razão nos olhos dela. Tanto tempo passado e tanto tempo agora e tanto tempo depois fez deles tão íntimos que, mesmo tão agora, o silêncio entre eles não parecia mais empecilho para a mensagem. Nos olhos dele viu que era por amá-la que a esperava terminar a ligação, dando-a a valiosa consciência de últimas palavras e duma despedida; nela, superficiando a íris, o reflexo do cano da arma apontado para o meio da testa. Ele pôs o telefone de lado Te amo mãe manda um beijo pro pai e com um sorriso dele a cabeça dela estava espalhada por toda a sala.
De todas as coisas que aconteceram, porém, a que veio mais como surpresa foi no abrir dos novos olhos ver-se repousa diante de Osiris. Sobre seu ombro, a cabeça empoleirada de Horus; mais como pássaro que deus, ele virou a cabeça de penas e bico pontiagudo, mirando-a com o azul fundo do único olho ainda inteiro, outro cego por um vermelho coagulado, prestou reverência ao pai e, após ter buscado pessoalmente a alma da mulher até o paraíso, farfalhou as asas na abertura e voou embora.
Anubis adentrou os aposentos reais com pressa, tinha jeito selvagem e um brilho cirúrgico nas retina de chacal, abaixou-se até a mulher, meteu-lhe as mãos nos ombros e a pressionou com força até o chão. O fucinho dilacerou-lhe o peito com violência e mordiscando o coração que batia arrancou-lhe entre filetes de sangue límpido para carregá-lo até a balança dourada aos pés de Osiris. Dum lado, uma pena, do outro, o coração da mulher.
A balança pendeu suave para o coração, movendo devagar até tocar o fundo. Anubis feito animal encarou a moça -- tão débil no chão, de imagem fraca e peito aberto, viva como que pela já morte -- com curiosidade, então com fome. Feito eco de trovão num cânion largo, a voz de Osiris em seu Por quê fez suspender todo o resto e desencadeou os rosnares de Anubis "Ela carrega no coração o perdão dum assassino". Osiris desapontou-se. Fechando as mandíbulas sobre a clavícula e trazendo consigo o coração, o cabeça-de-chacal atirou a moça dos altos às águas do rio, onde ela foi feita banquete dos jacarés até tornar-se lama do Nilo.
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