sexta-feira, fevereiro 13, 2009

casa

Chegou banhado de fumaça de cigarro, amou a mulher uma última vez e, retendo no peito as mãos espalmadas sobre o coração, propôs a Deus uma visita mesmo que breve para admirar sua miséria; viu o quarto em rodopios balésístico de cachaça barata e, torcendo-se gato nas cobertas, adormeceu sem banho até o fim tão breve da madrugada.

Como manso, no amor primeiro, ele aproximou o nariz da nuca desnuda e cheirou-lhe suave o perfume gasto, já misturado com um azedo de suor, num gesto casto de adoração, antes de liberar-se das roupas e lavar-se com ela ao acompanhar a pele desnuda e as superfícies macias e os pêlos rebeliosos com as mãos, encaixando como que por vez única já dessentimentalizado e em causas de cunhos carnais.

Era sempre o número dobro de doses depois para ir embora do que o primeiro terço para coragear o ninar nos braços. O jeito apropriado das calçadas era iluminado pelos postes de clareio laranja, luziando seu corpo e sombreando as paredes com silhuetas amorfas que, cachaceado, ele poderia jurar ser a de um cachorro. Ele tomou lições de soluço na primeira esquina.

(...)

Nenhum comentário:

Postar um comentário