Ela caminhava alguns passos a sua frente. O dia era jovem e frio, invernando nublado na manhã quando as estrelas põem-se no céu e há luz apenas no horizonte contornado por postes que ainda não se apagaram e não há bem sol. A areia molhada de pós-chuva era pesada, mais negra que nunca, como o mar que espumava cinzento longe dos pés.
Cabisbaixo, ele via seus calcanhares marcando a areia. Subindo, pernas nuas, um biquini vermelho embaixo da camisa larga meio azulada, o cabelo ao vento. Ela -- trim -- não virava para vê-lo, ele apenas podia -- trim -- sentir o peso no peito de alguma culpa. Ela con -- trim -- tornava a marca da última onda com os chinelos na mão e ele pensava em -- trim -- estender a mão e tocá-la, ver seu rosto talvez. Mas o peso no peito era -- trim -- mais do que no peito, e ele não conseguia -- trim -- se arriscar a -- trim -- esticar e -- trim -- angustiar o to -- trim -- que que era tão -- trim -- distante; Ela se virou e despencou na retina de uma só vez.
E ele nem a assimilou, porque era a mesma de sempre, mas com olhos tão úmidos como o horizonte de Junho e ele sentiu apertar o estômago vendo-a escapar como o vento antes mesmo de criar coragem de erguer os braços e -- trim --
Se Deus lhe dá chuva -- trim --, ela falou, se molhe.
Você não acredita em De -- trim -- us, ele respondeu tentando estragar tudo.
Nem -- trim -- Ele.
Ele abriu os olhos, alcançou o tele -- trim -- fone na cômoda e arrancou fios e jogou-o na parede, em um baque de silêncio. Era ainda madrugada e ele se vestiu com um agasalho velho e quente para a praia. Foi no ônibus vazio em silêncio, desceu na estação vazia em silêncio, sem cumprimentar o motorista ou o cobrador e pisou a areia quieto, com olhos de súplica. E, no vai e vem do mar, na areia molhada não havia passo algum.
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