sexta-feira, novembro 20, 2009

TIED TO THE WHIPPING POST!!!

Os olhos turvos abstêmicos; prepare-se! Ele s'afasta, tênis furado e sujo emboreando, mãos embolsadas - não se vê, o jeans é grosso, mas os dedos coçam a perna nervosistissíssimos -, o rosto de o quê neutro escondido, neutralidade borbulhante de risco; ele afasta, mas não podia ser diferente, o coração racha - ele tão fã: joga uma pedra de gelo na coca-cola e o gelo racha inteiro, é apenas pedaços reunidos, esse negócio de estilhaços que é o seu coração, igualzinho - 'inda que inteiro esteja, não espera muito e é ele para todo o lado.

tsc tsc, ele diz. Como ela olha, besta; até a beleza dela é tão pouca, se reduz: cinzas são belas como o fogo, corroem-se e farfalham, incandescem e, com o certo tanto de vento, espalham pelo mundo e isso é bonito, o toda-parte, mas é feio como o nada que sobra e não se tem - o fogo é seu mesmo que machuque e não há lealdade como essa no mundo, ou, se há, ele não conhece. O brilho dela eram seus olhos, ele ri e vê a graça na desgraça - o que exige menos do que s'espera, vê como até o léxico já entrega: tira o des e é só graça, tem mais graça do que des até, então se não se vê o revés da situação, se a vê mais favorável, ela é graça pura -, e é assim que, teimosamente, ele vê ela agora, tod'as coisas qu'ele mais ama s'atropeland'uma co'a outra: mas ele lembra, é claro, como amava nos dias de beijos que se inesperavam intensos onde houvesse não-espaço entre suas bocas. Por isso que ele ama, ou ama mais, ou que ele é romântico: a verdade é que o amor de verdade precisa de uma boa memória e ela esquece tanto, céus, o que é que ela não esqueceu até hoje? Sua boca queima, sua voz de fogo, "Eu sempre pensei que você quebraria meu coração por amor tanto, não por amor pouco".

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