Na verdade, quem que nós temos? Não que odiasse o mundo, nem nada do tipo, mas tem sempre esse momento onde se olha além às pessoas e se pergunta, quem ela são? É triste perceber que ninguém é insubstituível, e é coisa de um fatalista pensar que talvez tivesse sido melhor evitar várias delas para começo de conversa; é menor problema, e menos problema é uma coisa boa. Nem tudo é tão significativo quanto parece, nem tudo importa: a maturidade demora a vir - a maior parte do tempo nós somos como pequenas crianças, que acham que toda vez que tem sangue tem a chance de morrer; e, enfim, talvez nós nos acostumemos com o sangue derramado, mas a dor é sempre uma coisa complicada de controlar. Tem gente que toma muito remédio, mas eu pessoalmente não gosto. Sabe o que é triste nisso? Isso muito possivelmente que dizer que eu fui mais rapidamente substituído, pela simples necessidades que os outros têm de substituir. E enquanto a vida deles seguia, a vida medíocre e fluída deles, eu estava em algum lugar, esperando a dor passar a seu tempo, aproveitando ela com esse pouquinho de prazer que toda dor dá, me importando com gente que, em horas como essa, eu nem sei se deveria me importar. É engraçado, eventualmente você olha as pessoas e elas são totalmente planas, você já espera delas muitas coisas; acho que por isso não dá de amar mais elas, por isso elas se gastam e perdem a importância. Eu não acho que eu seja importante. Sei que tem muita gente vivendo a vida que me esqueceu; sei que quem me amou pode, um dia, olhar uma coisa que a faz lembrar de mim, da mesma forma que coisas pequenas me fazem lembrar dos outros - como um chão de vidro, uma gota de água na testa, uma porta entreaberta -, mas é tão pouco, por tão pouco tempo... nós damos tão pouco aos outros, por isso que nós merecemos morrer sozinhos.
Isso foi muito bonito e EXTREMAMENTE deprimente... =(
ResponderExcluirEmbora tenha que te parabenizar pelo ótimo texto, eu espero que não tenhas que pensar dessa maneira daqui a alguns anos. Nem tudo é "fatal", sabe? Por exemplo, não é por não sair mais tanto contigo que eu ainda não tenha a grande amizade que tenho por ti, e isso é algo que, mesmo com tantas "obrigações" e responsabilidades, não farão a gente perder(não digo o contato, mas) as nossas boas histórias! :D
Abraço
Fatalista.
ResponderExcluirMas sei que no fundinho tu não pensas assim.